Estadual

22/11/2020 09:14

O falso dilema da escolha entre Emanuel e Abílio

Analistas políticos mostram com dados concretos que não existe qualquer impasse para o eleitor escolher qual dos dois candidatos será melhor prefeito para Cuiabá

Da Redação

No próximo domingo, 29, acontecerá o segundo turno das eleições em Cuiabá e os eleitores estarão decidindo o destino da capital pelos próximos quatro anos. Para alguns, as opções  de candidatos a prefeito vem sendo tratada como um dilema. Nada mais falso, segundo  analistas políticos experientes e sem compromissos com qualquer das partes envolvidas no pleito consultados pela reportagem do Pauta Extra.

Considerando dados da realidade concreta como os comportamentos e experiências de  Emanuel Pinheiro (MDB) ao longo de toda a sua já longa carreira política e as do iniciante Abílio Júnior (PODE) nos seus dois anos de mandato como vereador, o tal dilema simplesmente não existe.

“A escolha será muito simples e muito fácil para quem tem um mínimo de senso crítico, noção de realidade e consciência cívica. Esta será uma escolha entre a eficiência e competência comprovada de Emanuel Pinheiro e a o desequilíbrio mental e inexperiência do arquiteto urbanista Abílio Jacques Brunini Moumer”, afirma o jornalista e consultor de marketing eleitoral, Antonio Peres Pacheco, que há mais de três décadas cobre a política de Mato Grosso e de Cuiabá.

Outros dados que desmentem o falso impasse em torno da disputa pelo Palácio Alencastro está nas propostas que ambos os candidatos apresentam como plataformas de governo para o quadriênio 20 21/2024. O experiente Emanuel Pinheiro escuda seu programa de gestão a partir do alicerce já estabelecido neste seu primeiro mandato no executivo municipal, composto por um alentado menu de obras de grande impacto social como o novo pronto socorro,   reconstrução de praças, pavimentação de bairros, construção de viadutos, programas sociais como a ajuda emergencial aos camelôs durante a pandemia, entre outras medidas.

Por sua vez, o neófito na política, Abílio Júnior, faz um discurso de desconstrução das estruturas administrativa, de programas e políticas públicas, Quando fala sobre o que pretende fazer, ameaça demitir 30% dos servidores públicos, suspender concursos e privatizar serviços essenciais em nome de um suposto “combate a corrupção”.

“Excetuando-se a participação de Abílio Júnior na CPI do Paletó, não lhe resta nada na vida pública que possa ser apresentado como currículo ou prestação de serviço. É um panfletário, incendiário. Nem com lupa, se encontra uma lei relevante de autoria do candidato ou de seu vice na Câmara de Cuiabá. Abílio se diz contra a corrupção, mas é acusado de empreguismo, sua mãe e uma irmã seriam fantasmas na Assembleia Legislativa. Administrar Cuiabá é uma missão complexa. Nas poucas vezes que vi Abílio, observei bem seu destempero.” Testemunha o veterano jornalista e historiador da política estadual, Eduardo “Brigadeiro” Gomes em um perfil de Abílio publicado no site Diário de Cuiabá.

Objetivamente, portanto, não existe qualquer impasse para o eleitor esclarecido na hora de dar o seu voto. A escolha, na verdade, será baseada no caráter individual e na capacidade do eleitor de compreender a realidade e assumir a responsabilidade pelo futuro de Cuiabá.

O fato é que um dos candidatos representa a segurança e a certeza de uma administração correta, transparente, competente e humanizada dentro dos limites de um ser humano passível de erros, arrependimentos e auto-superação como já demonstrou ser Emanuel Pinheiro.

O outro candidato reflete o puro voluntarismo, o histrionismo, preconceito e intolerância, a falta de experiência e de noção da complexidade que envolve a administração de uma cidade com quase um milhão de habitante e tantas carências estruturais e econômico-sociais.

APOIOS

Para o segundo turno, os dois candidatos buscaram ampliar o rol de partidos e lideranças que os apoiam entre os candidatos derrotados na primeira rodada do pleito. Nesse quesito, Abílio se saiu melhor que Pinheiro na quantidade, mas o mesmo não pode se dizer da “qualidade” dos apoios recebidos.

Além do governador Mauro Mendes e do ex-prefeito Roberto França, cujos históricos de corrupção e desastres administrativos encheriam páginas e páginas de jornais e causariam artrose no dedo do internauta de tanto rolar a tela do computador, mais atrapalha do que ajuda a ganhar votos.

Outro apoio que está funcionando como uma implosão da sua campanha veio de Gisela Simona, a terceira colocada na disputa pelo Alencastro. Mulher preta, Gisela foi ofendida e diminuída em suas capacidades político-administrativas “por ser mulher” pelo assumidamente machista e sabidamente preconceituoso Abílio.

A agressão sofrida no debate carreou uma massa considerável de votos de protesto e solidariedade para a ex-superintendente do Procon-MT.  Mas, sua decisão de apoiar o seu agressor neste segundo turno revoltou e decepcionou a maioria dos seus apoiadores, gerando uma onda de protestos nas redes sociais que deve se materializar em votos contra Abílio nas urnas no próximo domingo.

Já Pinheiro buscou aprofundar sua base de apoio e ampliar a permeabilidade de sua candidatura junto à setores fundamentais como as organizações sindicais e a juventude.

Mais que os partidos, interessou ao prefeito candidato, atrair para sua campanha de segundo turno grupos sociais mais organizados e conscientes sobre o que está em jogo na disputa.

A Juventude do Partido dos Trabalhadores (PT) declarou apoio a candidatura de reeleição de Emanuel Pinheiro (MDB) no segundo turno. Em nota divulgada a imprensa, o PT afirmou que o atual prefeito, ainda que não represente os seus projetos para a cidade, é o candidato que pode barrar o avanço da extrema direita na capital e a destruição de políticas sociais importantes.

 “Lutar contra o fascismo é indispensável a coragem para saber se posicionar perante a história”, destaca a nota, apontando Abílio Júnior como uma ameaça à democracia.

No campo sindical, Pinheiro arregimentou o apoio de mais de 20 representantes de Sindicatos que integram o Fórum Sindical de Mato Grosso.

O grupo declarou que vai apoiar e trabalhar pela reeleição do emedebista para o Executivo cuiabano. 

Durante o ato que anunciou a adesão dos sindicalistas à campanha de Pinheiro, realizado na manhã de quinta-feira,19, os sindicalistas criticaram duramente o candidato Abílio Júnior (Pode).

“O outro candidato diz por aí que vai mandar embora mais de 3 mil servidores, independente do vínculo funcional, mas por essa pauta nacional estamos sujeitos a esse desmonte dos servidores. E nós temos a perspectiva de desmontar essa aliança firmada entre o governo e esse candidato a prefeito que quer fazer a liquidação dos servidores", disparou o sindicalista Oscarlino Alves que é também vice-presidente estadual do Pros em Mato Grosso, partido de Gisela Simona.


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