Polícia

LINCHAMENTO 09/07/2018 08:25

Jovem é linchado e tem corpo queimado por ter estuprado e matado adolescente

Um grupo de moradores de Borba (AM), invadiu um quartel da polícia para matar o jovem de 18 anos acusado de estuprar e matar uma garota de 14 anos

Da redação

Um grupo de moradores do município de Borba, no Amazonas, invadiu um quartel da polícia e matou Gabriel Lima Cardoso, de 18 anos que estava detido no local, na noite desse domingo (8). Após o crime, ele teve o corpo queimado em frente a corporação. Ele era suspeito de estuprar, assassinar e enterrar a namorada, Patriciane Barros dos Santos,uma adolescente de 14 anos. A garota foi morta no início do mês.

A invasão do quartel da PM ocorreu no início da noite de domingo,08. Gabriel estava detido provisoriamente na sede da 9ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), localizada na cidade. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM)., o suspeito havia sido preso por volta de 17h30 e levado para a delegacia da cidade. 

Devido a revolta da população por conta do crime, dezenas de populares se reuniram em frente ao quartel e invadiram o local. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), ele foi retirado do prédio, agredido e morto na rua.

Após ele ser morto, o grupo colocou o corpo ao lado de um sofá e fez uma fogueira. 

Segundo o G1, seis policiais ficaram feridos durante a ação. O prédio da corporação foi depredado.

O caso

O corpo de Patriciane Barros dos Santos, de 14 anos, foi encontrado na madrugada do dia 4 de julho, no quintal de uma casa no município de Borba. De acordo com a Polícia Civil, a vítima tinha 16 perfurações de faca pelo corpo.

A polícia foi ao local por volta de 2h e localizou o corpo após uma denúncia. A PM verificou que a jovem não apresentava sinais vitais e uma ambulância foi solicitada para encaminhar a vítima ao Hospital de Borba, para constatação do óbito.

O crime está sob investigação pela equipe da 74ª Dlegacia Interativa de Polícia (DIP). Na unidade, oitivas com familiares e testemunhas já estavam sendo realizadas para elucidar o crime.

O Comando de Policiamento informou que o suspeito era namorado da vítima, mas a motivação do crime ainda estava sendo investigada pela Polícia Civil.

Policiamento Reforçado

O delegado-geral da Polícia Civil, Mariolino Brito, considerou o ato uma atitude “medieval” e disse que não há previsão para o efetivo retornar da cidade. Segundo ele, o inquérito policial para apurar a identificar os envolvidos no linchamento tem 30 dias para ser concluído. As pessoas que participaram da ação criminosa deverão responder por uma série de delitos como homicídio, dano ao patrimônio público, ameaça, incêndio criminoso e uso de rojão para constranger policiais.

Brito informou ainda que, até o momento, a polícia não possui informações sobre a quantidade de envolvidos. Ele negou que a cidade não tivesse efetivo de segurança para evitar o linchamento. “Vamos utilizar os meios que lá estão e identificar as pessoas que cometeram esses delitos. É um fato atípico e todos serão indiciados na forma da lei”, declarou.

O policiamento na cidade de Borba foi reforçado com um efetivo de 16 policiais, peritos, escrivães, policiais civis e militares. Mariolino Brito disse também que todos devem permanecer na cidade “pelo tempo que for necessário”. “Normalmente, passada aquela euforia, a cidade entra em calmaria. As pessoas se arrependem e, por isso, polícia tem que ir para não acontecer outra coisa dessa natureza”, disse.


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